Mantendo a toada negativa do pregão passado, a Bolsa de Valores brasileira voltou a descolar do movimento de alta no mercado internacional e fechou o dia em queda, enquanto o dólar subiu a R$ 5,3230.

Os ataques do ex-deputado Roberto Jefferson contra policiais federais, e o impacto que o evento pode trazer para as chances de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) faltando menos de uma semana para o segundo turno, têm mantido o tom de maior cautela entre os agentes de mercado.

O índice de ações Ibovespa fechou em queda de 1,20%, negociado aos 114.625 pontos, após ter tombado 3,27% no pregão de segunda-feira (24), a maior queda desde novembro do ano passado.

No câmbio, o dólar, que na véspera subiu quase 3%, a maior alta em seis meses, iniciou a sessão novamente em alta, chegando a encostar em R$ 5,35 na máxima do dia, mas perdeu força e fechou com valorização de 0,41%, a R$ 5,3230.

Já nas Bolsas americanas, o dia de ganhos para os principais índices acionários —o S&P 500 avançou 1,63%, o Nasdaq subiu 2,25% e o Dow Jones teve alta de 1,07%.

O episódio envolvendo a prisão de Roberto Jefferson foi avaliado como negativo à campanha de Bolsonaro, em uma visão receosa de que o evento possa frear o movimento de recuperação do atual presidente”, apontaram os analistas da XP em relatório.

Na semana passada, a Bolsa avançou 7%, a maior alta semanal desde novembro de 2020, embalada pelas ações de estatais e pela expectativa de reeleição do candidato Jair Bolsonaro —as ações preferenciais da Petrobras recuaram 2,1%, e as ordinárias caíram 1,5%, após o tombo acima de 9% na véspera. Já as do BB (Banco do Brasil) cederam 1,72%, após a queda de mais de 7% na véspera.

Na agenda de indicadores, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) voltou a subir em outubro, após dois meses consecutivos em queda, informou nesta terça o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A alta foi de 0,16%.

A variação é a menor para o mês desde 2019 (0,09%), mas veio acima das previsões do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam elevação de 0,09%.

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 até perdeu fôlego, mas continua em alta. O avanço atingiu 6,85% até outubro. Estava em 7,96% até setembro.

Segundo Felipe Rodrigo de Oliveira, economista da MAG Investimentos, a surpresa altista se deu principalmente pela alta de 28% de passagem aérea.

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