A carestia está na boca do povo, mas são os mais pobres os que sofrem mais suas consequências.

Com a venda de saladas no mercado popular de La Vega, Ana pagou pela educação dos quatro filhos. Mas agora, seus clientes compram verduras e eles próprios as preparam para contornar os preços elevados.

“Durante a semana não vendo. Antes, vendia por quilo”, mas hoje só com as vendas de sábado e domingo “podemos passar a semana”, conta à AFP Ana, de 56 anos, quarenta e dois deles trabalhando em La Vega.

“Nunca vi nada parecido. Tem gente que anda pedindo verduras para levar para casa”, acrescenta em seu box vazio, mas aonde vai diariamente alimentar seus gatos.

Em maio, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 1,2%, alcançando 11,5% de alta ao ano, a maior desde 1994, muito acima dos cerca de 3% que a inflação registrou na última década. Em 2022, a alta já acumulou 6,1%.

Segundo especialistas, a substituição de categorias mais caras, a escolha de “marcas próprias” e o preparo dos alimentos em casa são hábitos tradicionais de proteção dos consumidores diante do aumento dos preços.

Roxana, que vende ovos, confirma a teoria: hoje vende menos e menores.

“Quando as pessoas têm dinheiro, levam o maior; agora, levam o menor porque estão tentando encontrar o mais barato e que o orçamento dê”, diz à AFP.

 

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