Historicamente, a Irlanda sempre figurou entre os destinos mais populares para brasileiros que buscam experiências de estudo no exterior, sobretudo em cursos de inglês combinados com trabalho temporário.

O país abriga uma das maiores comunidades brasileiras da Europa: em 2024, mais de 58 mil brasileiros viviam na Irlanda, segundo levantamento divulgado pela embaixada do Brasil no país. 

Nos últimos anos, no entanto, tem crescido o número de jovens interessados em graduação, mestrado, MBA e outros programas de ensino superior, impulsionados pela reputação acadêmica das universidades irlandesas e pelas oportunidades profissionais oferecidas pelo país.

Dados da HEA (Higher Education Authority) apontam que o Brasil ocupa a sexta posição entre as nacionalidades que mais ampliaram presença nas universidades irlandesas desde 2024. 

Além de ter uma das médias salariais mais altas da Europa, outro fator decisivo é a política de permanência pós-estudos.

O governo irlandês oferece o Third Level Graduate Scheme (Stamp 1G), uma permissão que permite a graduados e pós-graduados permanecerem no país por um período de 12 a 24 meses após a conclusão do curso para buscar emprego em tempo integral.

Essa facilidade reflete-se nos números: outra pesquisa da HEA mostra que mais de 75% dos graduados em universidades irlandesas estão empregados nove meses após a formatura, enquanto apenas 4,7% permanecem desempregados nesse período. 

Para Marcelo Melo, diretor executivo da IE Intercâmbio, uma das principais empresas brasileiras de educação internacional e parte do grupo global MetaApply, essa conexão entre formação acadêmica e oportunidades profissionais é reforçada pelo ambiente empresarial do país. 

“Nas últimas décadas, a Irlanda se tornou sede europeia de diversas multinacionais, especialmente nos setores financeiro, farmacêutico e de tecnologia, com muitas delas concentradas em Dublin e em outros polos de inovação no país”, analisa. 

Conhecida como Vale do Silício da Europa, a Irlanda abriga gigantes como Google, Meta, Microsoft, Apple, Amazon, LinkedIn e Pfizer, que estabeleceram centros estratégicos no país e contribuem para um ecossistema que conecta universidades, startups e grandes companhias. Neste cenário, além da formação acadêmica, o estudante tem contato direto com um mercado altamente globalizado.