A expectativa é reduzir o tempo de emissão dos laudos patológicos, com previsão de liberação em 20 dias

A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), inaugurou, nesta quinta-feira (02/07), o primeiro Super Centro de Diagnóstico de Câncer, o qual irá funcionar no Laboratório de Anatomia Patológica. O hospital é um dos oito do país que passaram por um processo de reestruturação, capacitação e de infraestrutura para o funcionamento do Super Centro.

O Super Centro de Diagnóstico de Câncer faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), do Ministério da Saúde (MS), em parceria com o A.C. Camargo Cancer Center. Foram investidos na reestruturação e compra de equipamentos – scanner de lâminas, sistema de gestão laboratorial, computadores, impressora, micrótomos etc. – para a FCecon cerca de R$ 3.464.550,25 milhões.

“Esse investimento, realizado em parceria com o Ministério da Saúde e o A.C. Camargo Cancer Center, reafirma o compromisso do nosso governo com a modernização da FCecon e com a oferta de uma assistência cada vez mais humanizada e eficiente. Ter um dos oito Super Centros de Diagnóstico de Câncer do Brasil funcionando no Amazonas é motivo de orgulho e demonstra que estamos ampliando o acesso à tecnologia de ponta para salvar vidas e oferecer mais esperança às famílias amazonenses”, disse o governador Roberto Cidade.

A inauguração ocorreu em formato telepresencial com a presença dos gestores dos hospitais que participam do convênio. Estavam presentes o secretário de Atenção Especializada à Saúde do MS, Mozart Sales, da diretora do Departamento de Atenção ao Câncer (Decan), Guacyra Pires, do secretário executivo de Assistência Hospitalar e de Urgência da SES-AM, Homero Leão, da coordenadora de projetos da Secretaria de Atenção Especializada (SAES-MS), Amanda Cavalcante.

Telepatologia

Conforme a coordenadora de projetos da SAES-MS, Amanda Cavalcante, o Super Centro é um projeto inédito para o SUS, o qual tem como objetivo mudar a realidade de fluxos, processos e alcance do atendimento para o diagnóstico do câncer no Amazonas. “Trata-se da transição de um laboratório analógico para outro digitalizado, por meio da telepatologia, telelaudos e teleconsultoria”, frisou.

Segundo Cavalcante, somente o scanner digital de lâminas, doado pelo MS e entregue hoje, está avaliado em R$ 1,3 milhão. Ela informou que o equipamento tem a capacidade de digitalizar até 400 lâminas por ciclo, aumentando a produtividade do serviço.

Parceria

Conforme a diretora técnica da FCecon, Hilka Espírito Santo, a iniciativa contou com a parceria do A.C. Camargo Cancer Center, cujos médicos patologistas prestarão consultoria na discussão de casos complexos de câncer, em que se necessite de uma segunda opinião profissional. “Por meio de videoconferência será possível compartilhar a lâmina digitalizada, via computador, para discussão de casos raros, para liberação em conjunto do diagnóstico do paciente”, frisou.

Novos profissionais

O Laboratório de Anatomia Patológica avançou com a contratação de seis novos técnicos, de acordo com Espírito Santo, totalizando 12 profissionais que trabalham nas etapas de preparação, clivagem, coloração, até o material ser fixado em lâminas. Segundo ela, a FCecon também passou a contar com mais dois médicos patologistas, por meio do Programa Agora Tem Especialista. “Esses profissionais somam-se aos quatro patologistas do hospital que trabalham na emissão dos laudos, dando mais agilidade ao processo”, informou.

Scanner digital

A gerente do Laboratório de Anatomia Patológica, Emily Franco, disse que todas as lâminas produzidas pelo laboratório serão digitalizadas, o que permitirá aos patologistas realizem a análise das imagens de qualquer computador, tablet ou outro dispositivo com acesso autorizado, tornando o processo mais ágil e facilitando a discussão de casos.

“O principal benefício será para os pacientes. Com a digitalização do fluxo de trabalho, a expectativa é reduzir o tempo de emissão dos laudos, com previsão de liberação em 20 dias, em conformidade com a legislação vigente. Além de acelerar o diagnóstico, a tecnologia amplia a segurança, a qualidade das análises e o acesso a especialistas, contribuindo para um atendimento mais rápido e eficiente”, destacou Franco.

Aplicação de Inteligência Artificial (I.A)

Franco também destacou que com a digitalização da lâmina será possível rodar alguns modelos de inteligência artificial (I.A), que ajudam e apoiam no diagnóstico do paciente. Segundo ela, os modelos de IA conseguem analisar a imagem e informar quais os possíveis casos que podem ser positivos ou não para câncer. “Com a análise prévia por meio de IA, será possível priorizar os casos positivos para emissão dos laudos”, pontuou.

Números

Em 2025, o Laboratório de Anatomia Patológica realizou 3.553 mil exames.

 

*Fonte – FCecon