Complexo Negra Palavra e Tetembua Dandara integram a comitiva da Funarte na programação do evento

Investindo no fortalecimento de relações culturais com países do continente africano, o Brasil terá comitiva de representação oficial na 21ª edição do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA), o maior evento teatral de Angola. Realizada em Luanda, de 1º a 12 de julho, a programação terá duas atrações brasileiras: o coletivo Complexo Negra Palavra e a performer Tetembua Dandara. No total, são mais de 30 grupos de teatro reunidos, oriundos de províncias do país-sede, bem como da região da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), além de países europeus.

A comitiva será conduzida pelo presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Leonardo Lessa, e pela diretora do Centro de Teatro, Aline Vila Real. Além do acompanhamento das atividades dos artistas brasileiros, serão feitas articulação com agentes culturais internacionais e prospecção de oportunidades de cooperação no campo das artes cênicas. Na agenda, também está a participação na mesa “Mobilidade Artística: como circular espetáculos e construir carreiras internacionais”, no dia 4 de julho, às 10h, dentro das atividades reflexivas do FESTECA. Essa presença integra a primeira etapa da missão institucional do Ministério da Cultura (MinC) na relação com Angola, conforme acordos de cooperação assinados no último mês de março na visita oficial do ministro da Cultura de Angola, Filipe Silvino de Pina Zau, ao Brasil.

Parte do Programa Funarte Brasil Conexões Internacionais, a Bolsa Funarte de Mobilidade Artística Internacional viabiliza a presença das obras do Brasil no FESTECA, com investimento de mais de R$ 200 mil na viagem dos integrantes dos dois projetos. Para 2026, mais de R$ 3 milhões são destinados nesta linha de fomento para apoiar a participação de agentes das artes brasileiras em atividades no exterior ao longo do ano.

“A internacionalização das artes brasileiras é um dos elos que orientam a implementação da Política Nacional das Artes. Nesta perspectiva estruturante, diversas ações vêm sendo promovidas por meio do Programa Funarte Brasil Conexões Internacionais para garantir a difusão da produção artística brasileira em todo o planeta. Para a afirmação do Brasil no mundo, o diálogo com países de África é estratégia de reparação e fortalecimento de um vínculo ancestral que fundamenta a identidade e a inventividade brasileiras reconhecidas internacionalmente. Os laços criativos e artísticos são fonte de regeneração e transformação de imaginários sobre as potências do Sul Global”, afirma o presidente da Funarte, Leonardo Lessa.

Desde 2023, o MinC tem ampliado iniciativas de cooperação com países africanos e territórios da diáspora, com foco em memória, patrimônio, economia criativa, intercâmbio artístico e fortalecimento de redes institucionais. A Funarte vem atuando na construção e consolidação deste movimento, a exemplo da participação no Mercado de Artes do Espetáculo de Abidjan (MASA), um dos principais mercados internacionais das artes do espetáculo do continente africano, na Costa do Marfim, no último mês de abril, e na Bienal de Dança na África, em Moçambique, em 2023.

PROGRAMAÇÃO BRASILEIRA NO FESTECA

Formado em 2019 no Rio de Janeiro (RJ), o Complexo Negra Palavra é um coletivo multilinguagem de atores unidos a partir da poesia do pernambucano Solano Trindade (1908-1974), cujo trabalho sintetiza a potência e a militância de artistas brasileiros à margem do sistema e que souberam produzir uma obra capaz não só de resistir, mas de iluminar sucessivas gerações posteriores. O premiado espetáculo “Solano Trindade” é justamente o fruto central desta trajetória e será apresentado no FESTECA nos dias 3 e 10 de julho. O Negra Palavra também encena “Poesia do Samba”, peça poético-musical junto com uma roda de samba, no dia 5; e “Voar é o que me põe de pé”, solo da atriz Olivia Araujo, dirigido por Renato Farias, nos dias 7 e 9.

Já a performer e fotógrafa Tetembua Dandara, de São Paulo (SP), junto com sua delegação artística, apresenta “Eu tenho uma história que se parece com a minha”, nos dias 10 e 11 de julho. A obra atravessa diferentes gerações da família da artista, ativada pelo encontro com sua avó, Dirce Poli, com intervenções de sua mãe, Neuza Poli, e de sua irmã, Mafoane Odara. A instalação convida o público a adentrar um espaço onde narrativas são reconstruídas pelas vozes e olhares dos presentes, que podem transitar pelo ambiente e pelas histórias por quanto tempo desejarem.

Junta-se a eles o espetáculo musical infantil “Cinderela Negra”, dirigido por Rô Sant’Anna e realizado por coletivo independente de teatro carioca, nos dias 9 e 11 de julho.

 

*Fonte – Assessoria de Imprensa do Ministério da Cultura