Em maio, o leite longa vida liderou a pressão inflacionária entre os alimentos, segundo o IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10), da Fundação Getulio Vargas, divulgado na última segunda-feira (18). O produto registrou alta de 13,85% em relação a abril. Nas prateleiras do varejo e do atacado, o consumidor já sente o avanço dos preços, movimento que também aparece na inflação oficial do país, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Depois de estabilidade em janeiro, as cotações do leite subiram cerca de 11% de fevereiro para março e avançaram quase 14% em abril, colocando o produto entre os itens que mais pressionaram a inflação dos alimentos no período.

A tendência é que o leite continue encarecendo nos próximos meses, principalmente pela sazonalidade, pelos custos operacionais e pelas previsões climáticas. Com o outono-inverno, a qualidade das pastagens piora e isso diminui a produção leiteira naturalmente no país, em especial nas bacias leiteiras do Paraná, Minas Gerais e Goiás. Se os efeitos do El Niño se intensificarem nos próximos meses, a situação do pasto se agrava mais, como explicam produtores e associações do setor.

Os custos da pecuária leiteira também vem aumentando, mesmo com o valor pago ao produtor sendo melhor do que 2025. O preço médio do leite pago ao produtor no Brasil subiu 10,5% em março, na comparação com fevereiro, e atingiu R$ 2,3924 por litro na média nacional, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Apesar da terceira alta consecutiva, o ritmo de valorização perdeu força diante das perspectivas de recuperação da produção nos próximos meses.

Se, de um lado, o pecuarista está ganhando mais pela matéria-prima, do outro ele não compensa sua margem, porque gasta mais com insumos. A ração também ficou mais cara com a guerra no Oriente Médio, além dos fertilizantes, da energia e do diesel que move parte da operação mecanizada de centenas de propriedades leiteiras do Brasil. Isso fez com que o produtor travasse ainda mais seus investimentos.

“Mesmo com a recuperação observada no preço do leite, os produtores ainda demonstram resistência em investir em alimentação, quadro que pode mudar caso o preço do leite se mantenha firme ou volte a subir nos próximos meses”, informou o relatório mensal do Cepea. A postura dos pecuaristas pode influenciar, ainda, o preço dos suplementos minerais e proteicos utilizados na cadeia dos lácteos.

O avanço das cotações foi impulsionado pela disputa mais intensa entre laticínios pela matéria-prima, em um cenário de oferta restrita. O Índice de Captação Leiteira do Cepea (ICAP-L) caiu 3,9% em março na média Brasil e acumulou retração de 11,1% no primeiro trimestre de 2026. Entre os fatores que explicam a menor oferta estão a sazonalidade da produção e a redução dos investimentos na atividade.

Ao mesmo tempo, os custos de produção seguem pressionando o pecuarista leiteiro. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,46% em março e acumula alta de 2,11% no trimestre, conforme pesquisa do Cepea em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Fonte Assessoria de Imprensa