Indígenas Yanomami que vivem no Amazonas estão sofrendo com o aumento de casos de diarreia e pneumonia nas comunidades, que também enfrentam a falta de medicamentos básicos para conter o avanço das doenças.

Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami – que compreende o estado de Roraima e parte do Amazonas – registra nos últimos anos agravamento na saúde dos indígenas, com casos graves de crianças e adultos com desnutrição severa, verminose e malária, em meio ao avanço do garimpo ilegal. Segundo o Ministério da Saúde, mais de mil indígenas em estado grave foram resgatados nos últimos dias e estão na Casa de Saúde Indígena (Casai) em Boa Vista.

No Amazonas, a cidade de São Gabriel da Cachoeira, que fica próximo à Terra Indígena, tem sido o ponto de acolhida dos indígenas que apresentam os quadros mais graves de diarréia, verminoses e pneumonia.

Segundo Valdemar, existem seis polos-base de saúde indígena dentro do território Yanomami no Amazonas. No entanto, os espaços não têm profissio

nais suficientes para atender os povos tradicionais, o que prejudica ainda no agravamento dos quadros de saúde.

Esses polos-base ficam dentro das comunidades. Ou seja, a gente tem a estrutura, mas não tem equipamento e nem pessoal. Só temos um técnico de enfermagem para atender toda essa gente, que vem pelo Dsei Yanomami, de Roraima. Não tem um médico. São cerca de 10 mil pessoas que moram nessa parte do território aqui no estado, mas não tem uma estrutura adequada para os nossos parentes”, afirmou.

Mais de mil indígenas em estado grave de saúde foram resgatados da Terra Indígena Yanomami nos últimos dias por equipes do Ministério da Saúde que atuam de forma emergencial em comunidades dentro da reserva.

A estimativa foi divulgada na semana passada pelo secretário de Saúde Indígena (Sesai) do ministério, Weibe Tapeba, durante coletiva de imprensa em Boa Vista.

As equipes estão na reserva desde o dia 16 de janeiro para atuar frente à desassistência sanitária no território. Os indígenas sofrem, principalmente, com malária e com desnutrição grave, afirma Tapeba.

“Nós acreditamos que mais de mil indígenas foram resgatados nesses últimos dias do território para não morrer”, afirmou. Em uma semana, o único hospital infantil do estado recebeu 29 crianças Yanomami doentes.

Os indígenas são resgatados das comunidades onde vivem e levados ao posto de Surucucu – uma unidade considerada de referência na região, mas que se resume a um barracão de madeira de chão batido e com estrutura precária.

Fonte G1