O aumento abrange lista de 13 mil remédios, mas ainda depende de aprovação do governo. Segundo o Sindicato da Indústria Farmacêutica, por lei, o reajuste já pode ser aplicado a partir de quinta (31), mas a Anvisa afirmou que ainda não há data definida.
Os laboratórios farmacêuticos estão só aguardando a autorização da Anvisa para aplicar um aumento de quase 11% nos preços dos remédios.
O aposentado Abraão Epelboin, de 87 anos, sofre de pressão alta, diabetes. “Tem tudo que tem direito e mais alguma coisa”, diz.
Ele gasta R$ 900 por mês em 15 remédios. E muita sola de sapato para conseguir preços mais baratos. “A gente anda nessa drogaria, na outra, da outra vai em outra, para fazer pesquisa de preço”, explica.
Um levantamento do economista André Braz, da FGV/Ibre, mostra que os idosos e as famílias mais pobres comprometem uma parte maior da renda com remédios. Quem ganha até um salário mínimo e meio deixa na farmácia quase 6% dos seus ganhos. Para quem recebe acima de 11,5 salários, as despesas com remédios ficam abaixo de 3%, quase a metade.
“É um impacto super relevante, porque a ele, a gente deve somar também o previsto para o plano de saúde, que também deve ter reajuste de dois dígitos este ano. Os indivíduos que têm doenças graves, que exigem um investimento grande em medicamentos, realmente podem comprometer uma parcela muito maior do salário”, diz.
O índice de reajuste é calculado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, que reúne vários ministérios. Leva em conta fatores como a inflação, o custo dos insumos e a variação do câmbio.
Segundo o Sindicato da Indústria Farmacêutica, o reajuste previsto é de até 10,89% em uma lista de 13 mil remédios, mas isso ainda depende de aprovação do governo. O sindicato informou que, por lei, o reajuste já pode ser aplicado a partir desta quinta-feira (31), mas a Anvisa afirmou que ainda não há data definida para o aumento deste ano.
Dona Lúcia tem 90 anos. Ela tem problemas no coração e, há um ano, descobriu a doença de Parkinson. Toma 25 comprimidos por dia e gasta R$ 1 mil por mês com remédios, um terço da renda. A professora Mirian Magalhães se antecipou ao reajuste e já garantiu os remédios da mãe para o mês que vem.
“É um ganho pequeno, mas pelo menos este mês a medicação está salva. Mês que vem agora euvou ter que aguardar, ver de fato qual vai ser o aumento, como vai impactar e a gente tem que refazer todo esse orçamento de novo”, diz.
A filha faz de tudo para que Dona Lúcia tenha uma melhor qualidade de vida, mas teme ser obrigada a cortar despesas fundamentais. “Dá uma angústia. Fico sempre apreensiva até quando vou conseguir manter isso. Se tiver que mexer na medicação, nem sei o que vai ser”, afirma.
*Fonte – Internet
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