Integrantes do Conselho de Educação Indígena Escolar receberam, na sede da Secretaria de Estado de Educação e Desporto, cinco representantes da etnia warao. Intermediados pelas Aldeias Infantis SOS Brasil, os indígenas entregaram um documento que solicita parecer e resolução acerca dos direitos educacionais de povos indígenas refugiados e migrantes.

Os indígenas são educadores dos espaços Súper Panas, projeto idealizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e implementado em parceria com a Aldeias Infantis SOS Brasil, com apoio financeiro do Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (ECHO, na sigla em inglês) e do Escritório para População, Refugiados e Migração (PRM), do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

O presidente do Conselho de Educação Escolar Indígena do Amazonas, Jesiel Santos do Santos, enfatizou que os waraos devem se sentir pertencentes ao local. “Aqui não é uma terra estrangeira, mas um espaço de direitos de todos. E essa discussão vem fortalecer outros parentes no contexto urbano de Manaus. Temos a compreensão que é preciso ser sensível e refletir que aqui também é território tradicional e isso é um direito que deve ser respeitado e reconhecido aos parentes”, afirmou.

“Os indígenas da América Latina, durante todo período de contato com os não indígenas, sofreram inúmeras formas de violências e elas perduram em nossa sociedade. Com a elaboração e entrega desse documento, produzido a partir do protagonismo dos warao, consideramos estar dando um salto na conquista dos direitos interculturais educacionais indígenas. Trata-se de um marco na história de migração desses povos indígenas no Amazonas”, declarou o coordenador do projeto Súper Panas da Aldeias Infantis SOS Brasil, Edson Bahia.

A estratégia buscou articular os Conselhos, cuja função reside na orientação dos sistemas de ensino, bem como em sua fiscalização. Para a educadora warao Daysi Pérez, esse registro representa um marco de luta de seu povo enquanto refugiados e migrantes indígenas. “Esse documento é um passo importante e abre um caminho para o que almejamos enquanto educadores e representantes indígenas warao, tanto para os que aqui estão quanto às próximas gerações para que tenham o direito de acesso à educação, com respeito à nossa história e nossas vidas”, destacou Daysi.