Após a União Europeia demandar compromissos adicionais do Mercosul na área ambiental para avanço do acordo entre os blocos, o governo brasileiro pretende “espelhar” a estratégia e abrir negociação sobre termos que considera estratégicos para o país.

A primeira das demandas do governo brasileiro diz respeito às compras governamentais, que são consideradas ferramentas importantes para a política de industrialização. A segunda se relaciona com as expectativas da gestão sobre o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu.

Nos últimos anos, a União Europeia vem adotando novas legislações voltadas ao desenvolvimento sustentável que restringem a comercialização de produtos que infringem regras ambientais. Em partes, tais determinações são vistas como o avanço do “protecionismo verde” por parte do bloco.

O governo brasileiro, que vem buscando expandir sua agenda de sustentabilidade, entende que é necessário proteger a premissa de que o acordo deve reduzir as barreiras para as trocas de produtos entre os blocos.

O Mercosul ainda estuda a side letter da União Europeia, mas parte das demandas ambientais são consideradas “inaceitáveis”. Há entre os termos, por exemplo, exigências com as quais os países latinos não se comprometeram no âmbito do acordo de Paris, como metas intermediárias.

O fato de o Brasil ocupar a presidência do Mercosul e a Espanha — um dos maiores entusiastas do acordo no bloco europeu — estar à frente da UE simultaneamente no segundo semestre é considerada uma janela de oportunidade pelo governo.

 

Fonte CNN