Dirigindo para o interior da floresta, o silêncio entre os pinheiros imponentes e o céu azul claro era quebrado a cada poucos segundos pelo som de explosões distantes das batalhas da linha de frente no leste da Ucrânia.
Nos guiando pela floresta a pé, os soldados ucranianos nos levaram a uma clareira onde nos mostraram os destroços de um drone armado que eles disseram ter abatido com suas armas automáticas AK-47 durante o fim de semana.
O drone era um Mugin-5, um veículo aéreo não tripulado (UAV, na sigla em inglês) comercial fabricado por uma empresa chinesa com sede na cidade portuária de Xiamen, na costa leste da China.
Alguns blogueiros de tecnologia dizem que as máquinas são conhecidas como “drones Alibaba”, pois estão disponíveis para venda por até US$ 15 mil em sites de compras chineses, incluindo o Alibaba e o Taobao.
É o exemplo mais recente de um drone civil sendo adaptado e armado desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, um sinal da rápida mudança nos padrões da guerra.
“Na linha de frente, basicamente o tempo todo estamos conduzindo reconhecimento aéreo”, disse Maksim, um combatente de defesa territorial de 35 anos que quer usar apenas o primeiro nome.
Durante a noite de sexta-feira para sábado, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) disse à CNN que seus agentes baseados em território controlado pela Rússia os alertaram de que um UAV havia sido lançado de lá, indo em direção a um alvo ucraniano.
O SBU então soou o alarme com unidades militares baseadas no leste da Ucrânia, perto da cidade de Sloviansk.
Por volta das 2h da manhã de sábado, combatentes da 111ª Brigada das Forças de Defesa Territorial da Ucrânia ouviram o drone acima e até viram uma luz piscando na aeronave.
“Pelo som, pela luz do sinal, as tropas atiraram muito nele e derrubaram o UAV”, disse Maksim.
Maksim disse que o UAV estava voando em altitude muito baixa – perto o suficiente para derrubá-lo com armas portáteis.
Agora, caído no chão da floresta, um buraco de bala era visível no nariz da máquina, que se quebrou e sofreu danos significativos.
Perto dali, os soldados também nos mostraram uma pequena cratera na terra que foi criada pela carga do UAV – uma bomba de aproximadamente 20 quilos, que mais tarde foi detonada com segurança pelos combatentes.
A uma distância de cerca de 500 metros, eles pararam o veículo e se viraram para filmar o poderoso impacto da explosão – um lembrete do dano potencial que poderia ter causado se a bomba tivesse atingido o alvo pretendido em solo ucraniano.
O drone comercial armado não tinha uma câmera instalada, o que significa que não poderia ter sido usado para vigilância e, essencialmente, o torna semelhante a uma “bomba burra”, de acordo com Chris Lincoln-Jones, oficial aposentado do exército britânico e especialista em guerra de drones.
“Esse drone em particular que estamos analisando seria muito mais eficaz se tivesse uma câmera decente”, disse Lincoln-Jones.
Ele acrescentou que a máquina dá mais evidências à teoria de que a Rússia não é a superpotência militar que o mundo esperava.
“Esta parece ser uma forma muito rudimentar, pouco sofisticada e pouco avançada tecnologicamente de conduzir as operações”, disse, acrescentando que o preço das máquinas é muito barato em termos militares.
“Os ucranianos têm que fazer o que puderem”, acrescentou, então ele espera que eles sim usem “muito mais armas improvisadas”.
Fonte CNN


