O evento que dominou a agenda de notícias do mundo em 2022 foi a guerra da Ucrânia e suas diversas repercussões no mundo. O impacto do conflito foi sentido profundamente no Oriente Médio, seja no fornecimento de energia da região, seja nas vias navegáveis estratégicas, e até mesmo no papel fundamental das indústrias de armas locais na guerra.
No ano passado, os adversários do Ocidente reforçaram os laços com os estados do Oriente Médio, muitas vezes em detrimento das relações com parceiros ocidentais.
Mas, mesmo que as relações com o Oriente Médio tenham variado de intensidade, a relevância da região permaneceu intacta e, talvez, tenha até aumentado. A Europa vem procurando cada vez mais garantir sua segurança energética com parceiros na região. O Catar, que sediou a Copa do Mundo da Fifa 2022, deverá se tornar um fornecedor de gás ainda mais significativo para a Europa nos próximos anos.
Enquanto isso, dois vizinhos do Oriente Médio, Irã e Turquia, assumiram lados opostos da guerra na Ucrânia. Os drones feitos nos dois países tiveram um impacto significativo no campo de batalha.
A guerra viu crescer a proeminência internacional da Turquia, seja através das suas tentativas de mediação entre as partes beligerantes, seja por seu posicionamento na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que paralisou a expansão da aliança.
Tudo isso deu um impulso interno ao presidente Recep Tayyip Erdogan, que encara a economia instável do país após uma recessão impulsionada pela inflação.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, estabeleceu um ambicioso conjunto de objetivos para a nação em seu centenário, celebrado em 2023. Mas, ao mesmo tempo, Erdogan vai precisar de muito foco para se manter no poder.
A moeda turca, a lira, vem perdendo valor nos últimos quatro anos e o custo de vida tem aumentado em consequência das políticas monetárias pouco ortodoxas e amplamente criticadas de Erdogan, que se afastaram do aumento das taxas de juro para reduzir a inflação.
Junto com os anos de fadiga do governo e uma nova geração de eleitores que está à procura de mudança, 2023 pode potencialmente marcar o declínio do controle de Erdogan no poder.
As eleições, que devem ocorrer no meio do ano, dominaram a agenda interna da Turquia durante grande parte do ano passado. Pela primeira vez em anos, a oposição – pelo menos por enquanto – parece unida em busca de um candidato que poderia derrotar Erdogan.
No ano passado, o presidente sofreu um grande revés nas pesquisas, com a diminuição de seu índice de aprovação. Projetado e implementado pelo próprio Erdogan, o sistema presidencial requer uma maioria de 50% mais 1 nas eleições – uma proposta difícil para o líder à medida que a economia desacelera.
Na frente internacional, o aliado-chave da Otan continua equilibrando sua aliança desconfortável com os EUA e a Europa.
O apoio contínuo dos EUA a um grupo armado curdo na Síria – que a Turquia considera como uma ameaça nacional –e um relacionamento pessoal frio entre Erdogan e o presidente dos EUA Joe Biden reforçam a relação tensa.
As disputas não resolvidas com a Grécia a respeito das fronteiras marítimas no Mediterrâneo, bem como uma guerra de palavras sobre um destacamento militar grego nas pequenas ilhas do Egeu perto da Turquia, continuam aumentando as tensões com a Europa.
A relação com o continente pode ou não melhorar para além da cooperação, mantendo migrantes e refugiados confinados à Turquia, mas isso vai depender de encontrar interesses em comum.
Quando se trata da Ucrânia, a posição turca, independentemente de quem ganhe as eleições, permanecerá em grande parte inalterada. A política de “neutralidade pró-ucraniana”, como é chamada localmente, se pagou com um acordo global de grãos de muito impacto e impediu a economia turca de se enfraquecer ainda mais.
Fonte Internet



