Em 2020, a Coreia do Norte fez quatro testes de mísseis. Em 2021, dobrou esse número. Em 2022, a nação isolada disparou mais mísseis do que qualquer outro ano já registrado. Chegou a disparar 23 mísseis em um único dia.
No total, a Coreia do Norte lançou mais de 90 mísseis de cruzeiro e balísticos em 2022 (até agora), exibindo uma série de armas que, segundo especialistas, apontam para um potencial teste nuclear no horizonte.
Embora os testes em si não sejam novos, sua frequência marca uma escalada significativa que colocou a região do Pacífico em alerta.
“A grande questão em 2022 é que a palavra ‘teste’ não é mais apropriada para descrever a maioria dos lançamentos de mísseis norte-coreanos”, disse Ankit Panda, especialista em política nuclear da Carnegie Endowment for International Peace. “Tudo o que vimos neste ano sugere que Kim Jong Un é bem sério sobre o uso de capacidades nucleares no início de um conflito, se necessário”.
Os testes que chamam a atenção também ameaçam iniciar uma corrida às armas na Ásia, com países perto de aumentar as capacidades militares, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos prometem defender a Coreia do Sul e o Japão pela “gama completa de opções, incluindo a nuclear”.
Dos mais de 270 lançamentos de mísseis e testes nucleares realizados pela Coreia do Norte desde 1984, mais de um quarto aconteceu neste ano, segundo dados do Projeto de Defesa de Mísseis do Center for Strategic and International Studies.
Desse total, mais de três quartos foram registrados depois que Kim Jong Un chegou ao poder em 2011, o que reflete as ambições do ditador – das quais ele nunca fez segredo. Em abril, por exemplo, ele prometeu desenvolver as forças nucleares do país na velocidade “mais alta possível”.
“Para mísseis, eles estabelecem registros diários, mensais e anuais”, explicou Bruce Klingner, pesquisador sênior do Centro de Estudos Asiáticos da Heritage Foundation.
A maioria desses testes foi de mísseis balísticos e de cruzeiro. Os mísseis de cruzeiro permanecem dentro da atmosfera da terra e são manobráveis com superfícies de controle, como um avião. Já os mísseis balísticos deslizam pelo espaço antes de reentrarem na atmosfera.
A Coreia do Norte também disparou mísseis superfície-ar e mísseis hipersônicos.
“A Coreia do Norte está se transformando em um operador proeminente de forças de mísseis de grande escala”, opinou Ankit Panda. O pesquisador lembrou de casos recentes em que a Coreia do Norte lançou mísseis em resposta a exercícios militares ou negociações diplomáticas realizadas pelos EUA e seus aliados regionais, e acrescentou: “Qualquer coisa que os EUA e a Coreia do Sul façam, a Coreia do Norte procura demonstrar que também pode fazer”.
Entre os mísseis balísticos testados este ano estava o Hwasong-12, que viajou mais de 4,5 mil quilômetros em outubro – voando sobre o Japão, algo que a Coreia do Norte realizou pela primeira vez em cinco anos. Outro míssil notável foi o Hwasong-14, com uma distância estimada em mais de 10 mil quilômetros.
Para colocar essas distâncias em contexto, a ilha de Guam, que pertence aos EUA, está a apenas 3,4 mil quilômetros da Coreia do Norte.
Mas uma arma particular chamou a atenção internacional: o Hwasong-17, o míssil balístico intercontinental mais poderoso da Coreia do Norte (ICBM) feito até hoje. Ele poderia teoricamente chegar ao território continental dos EUA – embora ainda haja dúvidas sobre a capacidade do míssil de entregar uma carga nuclear no alvo.
A Coreia do Norte afirmou ter lançado com sucesso o Hwasong-17 em março pela primeira vez. No entanto, especialistas da Coreia do Sul e dos EUA acreditam que o teste pode ter sido de fato um míssil mais velho e menos avançado.
O Hwasong-17 foi testado novamente em novembro, de acordo com a mídia estatal norte-coreana. Kim alertou posteriormente que o país tomaria uma ação “mais ofensiva” em resposta a “inimigos que buscam destruir a paz e a estabilidade na Península e região da Coreia”.
Fonte Internet



