As autoridades da China dispersaram violentamente no domingo (10) um protesto pacífico de centenas de chineses, que procuraram em vão exigir de volta seus depósitos de bancos que enfrentam uma crise de caixa cada vez mais profunda.

Desde abril, quatro bancos rurais na província central de Henan, na China, congelaram milhões de dólares em depósitos, ameaçando os meios de subsistência de centenas de milhares de clientes em uma economia já atingida por lockdowns draconianos da pandemia.

A manifestação está entre as maiores na China desde o início da pandemia, com as viagens domésticas limitadas por várias restrições devido à Covid-19. No mês passado, as autoridades de Zhengzhou até recorreram à adulteração do sistema de código de saúde digital relacionado à Covid para restringir as manifestações de clientes.

Desta vez, a maioria dos manifestantes chegou do lado de fora do banco antes do amanhecer – alguns às 4 da manhã – para evitarem o bloqueio pelas autoridades. A multidão, que inclui idosos e crianças, ocupou um lance de escada do lado de fora do banco, cantando slogans e segurando faixas.

Usar bandeiras nacionais para exibir patriotismo é uma estratégia comum para manifestantes na China, onde a dissidência é estritamente reprimida. A tática visa mostrar que suas queixas são apenas contra os governos locais e que eles apoiam e confiam no governo central para buscar reparação.

“Contra a corrupção e a violência do governo de Henan”, dizia uma faixa escrita em inglês. Um grande retrato do falecido líder chinês Mao Zedong foi colado em um pilar na entrada do banco.

Do outro lado da rua, centenas de policiais e seguranças – alguns uniformizados e outros à paisana – se reuniram e cercaram o local, enquanto os manifestantes gritavam “gangsters” contra eles.

 

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