A gigante britânica de energia Shell disse que espera um prejuízo de até US$ 5 bilhões no 1º trimestre de 2022 por causa de sua decisão de deixar a Rússia. A estimativa é uma das primeiras consequências financeiras da invasão da Ucrânia por Vladimir Putin – a Shell faz parte de uma série de empresas que decidiram cortar relações com Moscou.
As perdas contábeis não afetarão os lucros da empresa, que devem ser anunciados no início de maio, segundo a Shell. Às 16h30 desta quinta-feira, as ações da companhia caíam mais de 2% em na Bolsa de Londres.
A Shell não é a única empresa de energia a ser impactada: a BP pode perder até US$ 25 bilhões por deixar a Rússia, valor decorrente de perdas cambiais e do abandono de suas ações na gigante petrolífera russa Rosneft, que responde por cerca de um terço de sua produção de petróleo e gás.
A ExxonMobil também está se preparando para perdas na Rússia que podem chegar a US$ 4 bilhões. A companhia norte-americana abandonou um projeto de perfuração.
A TotalEnergies, da França, foi criticada por não suspender totalmente as operações na Rússia. A companhia também decidiu não reduzir seus valores como alguns de seus concorrentes fizeram, uma decisão que o CEO Patrick Pouyanne defendeu argumentando que fazê-lo efetivamente significava entregá-los a Putin “de graça”.
Poucas semanas depois do início da invasão da Ucrânia pela Rússia, a Shell comprou uma remessa com desconto de petróleo da Rússia e se justificou argumentando que era necessário manter a estabilidade do abastecimento de combustíveis à Europa. A empresa foi fortemente criticada pela decisão e, pouco depois, voltou atrás e pediu desculpas, prometendo parar de comprar petróleo e gás russos e encerrar suas operações por lá.
Embora as companhias de energia enfrentem bilhões em baixas contábeis relacionadas a ativos na Rússia, o aumento nos preços do petróleo e do gás faz com que muitas delas esperem lucros significativos.
A Shell disse que os lucros do comércio de petróleo devem ser “significativamente maiores” neste trimestre e os lucros do gás natural líquido devem superar os dos últimos três meses de 2021. Parlamentares dos Estados Unidos criticaram o setor por suposta especulação enquanto os norte-americanos lutam com os altos preços dos combustíveis nas bombas, apesar da queda nos preços do petróleo.
O setor de energia não é o único vulnerável à crise da Rússia. O setor de finanças, por exemplo, pode recuar em bilhões. O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, disse que o banco pode perder cerca de US$ 1 bilhão devido à guerra e o Citigroup alertou para uma possível perda de quase US$ 5 bilhões.
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