Aumento das tropas russas na fronteira com país vizinho não é só mensagem a Kiev e parceiros da Otan. Demonstração de força de Putin mira também público doméstico. Mas eleitores não parecem querer mais um conflito.

estação de metrô Kievskaya de Moscou é decorada com murais elaborados que mostram como os ucranianos ingressaram na União Soviética. É uma celebração de unidade. Mas hoje Moscou e Kiev parecem mais divididas do que nunca.

Recentemente, oficiais de inteligência ocidentais advertiram que a Rússia estacionou cerca de 70 mil soldados perto de sua fronteira com a Ucrânia e que o presidente russo, Vladimir Putin, pode estar planejando uma invasão no início do próximo ano.

Do lado de fora da estação Kievskaya  nome que faz referência a Kiev , os passageiros param para tomar ar fresco ou fumar um cigarro. Para a maioria das pessoas na capital russa, as tensões crescentes na fronteira parecem muito distantes.

“Nós, russos, não queremos guerra. Ninguém quer. Os ucranianos são o mesmo povo que nós, um povo eslavo, nossos amigos”, diz uma jovem à DW, puxando o xale da cabeça com mais força para se proteger do frio. “Mas tudo é decidido por políticos lá de cima – sem nós.”

Em 2014, a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia. Moscou também tem apoiado separatistas que lutam no leste da Ucrânia – embora as autoridades russas neguem envolvimento direto. Mais de 14 mil pessoas morreram no conflito.

“Durante a União Soviética, todos nós vivíamos muito bem”, afirma um homem mais velho com um chapéu de pele, acrescentando que tem raízes bielorrussas e polonesas. “Depois, tudo desmoronou.”

Uma história complicada

A ideia de que ucranianos e russos são “nações irmãs” é comum na Rússia. Isso torna o conflito em curso no leste da Ucrânia emocional para muitos – diferente de outras guerras travadas entre grupos étnicos no espaço pós-soviético, como a recente luta por Nagorno-Karabakh, por exemplo.

Hoje, pelo menos 2 milhões de ucranianos vivem na Rússia, e existem centenas de laços familiares entre as duas nações. Muitos russos realmente veem Kiev como o local de nascimento da nação russa, já que a capital ucraniana de hoje era o centro de Kyivan Rus, uma federação medieval de povos eslavos.

Em um ensaio publicado em julho, o presidente russo, Vladimir Putin, chegou ao ponto de argumentar que russos e ucranianos são “um só povo” – e que é o Ocidente que está separando as nações.

Linhas vermelhas de Moscou

Agora, Putin está usando seus militares para expressar uma renovada fixação pela Ucrânia – o recente aumento de tropas é o segundo neste ano. muitos analistas russos argumentam que o conflito armado sobre a Ucrânia se tornou para Putin uma estratégia, não algo que resulta de um sentimento difuso de nostalgia pela unidade do passado.

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