Na quarta-feira, 17, a chanceler alemã Angela Merkel alertou os céticos e negacionistas para que mudem de ideia sobre a necessidade de se vacinarem. O número de casos de Covid-19 no país cresce em alta velocidade nas últimas semanas e confirma a chegada de uma quarta onda da doença, que aflige principalmente as regiões Norte e Leste da Europa, justamente onde há um persistente movimento antivacina. Como vem acontecendo em outros países, Merkel classificou a situação local como “dramática” e pediu um esforço concentrado para que doses de reforço sejam distribuídas na Alemanha mais rapidamente para que as pessoas se imunizem. “Não é tarde demais para optar por uma primeira vacina”, disse a chanceler em uma convenção de prefeitos de cidades alemãs. “Todos que são vacinados se protegem e protegem os outros. Essa é a saída para a pandemia.” Mas a situação no momento contraria a lógica germânica. O número de alemães contagiados aumentou exponencialmente e se aproxima das 100 mil mortes. A campanha de imunização estancou porque no continente que alardeia a racionalidade iluminista um elevado número de pessoas nega a ciência e recusa a vacina.

O Centro de Controle de Doenças (ECDC) da União Europeia declarou que a situação epidemiológica no bloco é de “rápido e significativo aumento dos casos e uma lenta baixa na taxa de mortalidade”. Países como Bélgica, Holanda, Bulgária e República Tcheca estão em situação classificada como “muito preocupante” pelo órgão. E a explicação é clara. Na Bulgária, por exemplo, a cobertura vacinal de primeira dose gira em torno de 30%. O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa, Hans Kluge, afirmou que a região voltou ser o epicentro da pandemia. De uma modo geral, o desempenho de campanhas nacionais de vacinação é ruim – 90% dos casos de Covid acontecem em pessoas não vacinadas. O professor titular do Instituto de Química da Unicamp, Luiz Carlos Dias, diz que essa situação era prevista. “A pandemia vai continuar se espalhando entre os não vacinados e nesse grupo os casos graves de internação e os óbitos vão aumentar”, diz. “Além disso, mais cedo ou mais tarde, essas pessoas devem transmitir o vírus para as pessoas imunizadas”.

 

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