O governo de Cuba denunciou uma rede dedicada ao tráfico de cubanos para enviá-los para a frente de batalha na Rússia.

Cidadãos cubanos estão sendo convidados a viajar para a Rússia, mas acabam sendo obrigados a lutar na Ucrânia.

A denúncia foi feita esta semana pelo governo cubano, que alegou ter desmantelado uma quadrilha de tráfico de pessoas que se dedicava a levar cubanos à Rússia para forçá-los a atuar como soldados na guerra na Ucrânia.

“O Ministério do Interior detectou e está trabalhando para neutralizar e desmantelar uma rede de tráfico de humanos que opera a partir da Rússia para incorporar cidadãos cubanos que ali vivem, e mesmo alguns de Cuba, nas forças militares que participam em operações de guerra na Ucrânia“, afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Cuba.

O governo indicou que não promove a participação de cubanos em ações militares no conflito entre a Ucrânia e a Rússia.

Cuba não faz parte do conflito de guerra na Ucrânia. Está agindo e atuará com vigor contra qualquer pessoa, do território nacional, que participe em qualquer forma de tráfico de pessoas para fins de recrutamento ou mercenarismo para que os cidadãos cubanos utilizem armas contra qualquer país”, acrescenta a nota.

A declaração do governo cubano foi emitida depois que vários jovens cubanos denunciaram nas redes sociais que foram enganados e levados à Rússia para participarem no conflito.

As denúncias, publicadas em diversos meios de comunicação locais e internacionais, estavam relacionadas com vídeos realizados pelos jovens Andorf Velázquez García e Alex Vegas Díaz.

Os jovens relataram que foram levados de Cuba para a Rússia com a promessa de trabalhar como pedreiros, mas uma vez lá foram levados para áreas de recrutamento militar.

“Nos fizeram assinar alguns documentos e prometeram salário e comida em troca de um emprego, mas a verdade é que nos levaram para trabalhar na zona de guerra”, disse Velázquez à rede de televisão América TeVe.

“Estamos numa cidade que não conhecemos, numa situação em que não queremos estar”, disse o jovem.