No início da semana, o Exército do Sudão e as Forças de Apoio Rápido concordaram com um cessar-fogo de sete dias, que começava esta quinta-feira. Contudo, poucas horas depois de terem entrado em vigor, as tréguas foram violadas por confrontos violentos em Cartum. Perante este cenário, as Nações Unidas alertaram para a crescente crise humanitária no país e para a necessidade de as fações beligerantes cessarem as hostilidades, tendo em vista garantir a retirada de civis e a ajuda humanitária no território.
“As nossas forças entraram hoje de madrugada em confronto com os rebeldes que tentaram atacar o comando da Região Militar do Norte de Cartum”, afirmaram as Forças Armadas em comunicado, acrescentando que houve mortos e feridos nas fileiras das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês).
Já os paramilitares das RSF referiram, em comunicado, que o exército sudanês violou a trégua humanitária ao atacar as suas “unidades e bairros residenciais com artilharia indiscriminada e bombardeamentos aéreos”.
“Desde a noite de ontem e esta manhã, há ataques aéreos e confrontos”, disse Al-Sadiq Ahmed, um civil de Cartum, à Reuters. “Estamos em estado de terror permanente porque os combates acontecem nos centros dos bairros residenciais. Não sabemos quando este pesadelo e o medo vão acabar”.
O Governo sul-sudanês indicou igualmente que os dois líderes beligerantes, o chefe do exército, Abdelfatah al Burhan, e o comandante das RSF, Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido por “Hemedti”, deveriam aproveitar esta semana para nomear os porta-vozes das delegações para as conversações de paz acordadas.
De acordo com a ONU, cerca de 100 mil pessoas já se deslocaram para os países vizinhos devido ao conflito, que causou pelo menos 550 mortos, sendo o Chade e o Egito os países que acolheram mais sudaneses.
O secretário-geral da ONU apelou também à comunidade internacional para que pressione os generais em guerra, no Sudão, a pararem o conflito. De visita a Nairobi, no Quénia, António Guterres repetiu que o país enfrenta uma catástrofe humanitária.
“É importante para mim que nos encontremos fisicamente, cara a cara, para discutir isso, porque precisamos que seja um momento público e responsável”, frisou.