Ibovespaprincipal índice do mercado de ações da Bolsa de Valores de São Paulo, B3, passou por uma nova série de mínimas e perdeu os 112 mil pontos, atingindo 111.873,77 pontos. A queda na carteira é quase geral. Perto de 11h, apenas quatro papéis subiam. A desconfiança de investidores passa por questões locais, entenda-se fiscal, e externas, especialmente no que diz respeito à China.

Também no começo do dia saiu o índice de confiança do consumidor de Michigan, mostrando alta a 71 em setembro, ante previsão de 72. “São várias notícias influenciando. As ações da Vale (-2,65%) caindo com a queda do minério, medo de que na China a incorporadora chinesa Evergrande quebre, o que eleva o temor em relação ao desaquecimento global, de que isso se espalhe pelo mundo. No Brasil, tem o fiscal ainda incerto”, afirma operador de renda variável da B.Side Investimentos, escritório plugado ao BTG Pactual.

Segundo ele, apesar de o aumento do IOF ser temporário, o mercado teme de que se torne permanente, pressionando mais a saúde da economia, que tenta recuperação. Às 11h15, o Ibovespa cedia 1,69%, aos 111.873,77 pontos.

Dólar

dólar acelerou o ritmo de alta nos negócios da última hora e atingiu máximas em R$ 5,33 no mercado à vista e R$ 5,34 no futuro. Diversos fatores de pressão são apontados nas mesas de operações, quase todos eles internos, uma vez que a sexta-feira é de oscilações contidas no câmbio internacional. Segundo operadores, a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é o principal motivo de incômodo dos investidores, que veem o governo em busca de soluções para suas iniciativas visando as eleições de 2022, mas não enxergam empenho na condução do quadro fiscal. “Não é que o aumento do IOF para bancar o Auxílio Brasil tenha efeito direto sobre o câmbio. Mas é um sinal de que o governo está perdido, não sabe o que fazer. O investidor se sente inseguro e o que se vê é queda da Bolsa e alta do dólar”, diz Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas.

Às 10h50, o dólar à vista era negociado a R$ 5,3304, na máxima do dia, em alta de 1,24%. O dólar para liquidação em outubro subia 1,41%, aos R$ 5,3400. No exterior, o Dollar Index (DXY), que mede a variação do dólar ante uma cesta de moedas fortes, tinha alta de 0,07%. Entre moedas de países emergentes e exportadores de commodities, a manhã é de leve viés de alta, com destaque pra o rublo (+0,24%) e o rand (+0,21%).

Vale tem queda

As ações ON de Vale recuam 1,14%, após nova queda de quase 5% no preço do minério de ferro negociado em Qingdao, na China, o que levou o banco UBS a realizar um duplo rebaixamento para o American Depositary Receipt (ADR) da mineradora negociado em Nova York, saindo de compra para venda diante de estimativas de preços menores para o minério de ferro em meio a previsão de redução da demanda na China e aumento do excedente do produto para 2022. Segundo os analistas Andreas Bokkenheuser, Cleve Rueckert e Cadu Schmidt, em meio a este cenário, “os dividendos da Vale ficam muito menos atraentes com o minério de ferro abaixo de US$ 100 a tonelada”. Seguindo o mesmo movimento, Gerdau PN recua 3,22%, CSN ON cai 2,69% e Usiminas PNA tem queda de 3,74%. Já CSN Mineração tem queda de 3,79%. Enquanto isso, o Ibovespa caía 1,02%, aos 112.638 pontos.

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