Sojicultores de Mato Grosso, Estado responsável por um quarto de toda a produção brasileira da oleaginosa, planejam aproveitar as chuvas previstas para o final de setembro para dar início ao plantio mais cedo neste ano.

O “timing” do plantio de soja em Mato Grosso é particularmente importante pelo fato de o Estado produzir mais de metade da segunda safra de milho do Brasil – quanto mais tarde a semeadura da oleaginosa ocorre, menor a janela para o cultivo do cereal.

Segundo o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, modelos indicam que neste ano a chuva chegará mais cedo do que nos anteriores. Ele acrescentou que o mês de outubro trará precipitações regulares para os Estados do Centro-Oeste, mas abaixo da média para o Sul.

O tempo atipicamente seco no ano passado atrasou o plantio de soja em várias semanas, comprometendo a “safrinha” de milho.

Como as chuvas atrasaram em 2020, os produtores tiveram de semear cerca de metade da safra de soja do Estado –o equivalente a cerca de 5 milhões de hectares– nos primeiros 20 dias de novembro, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Isso significa que os agricultores perderam a janela ideal para a semeadura da segunda safra de milho nos dois primeiros meses de 2021 –uma situação que esperam evitar neste ano, diante da forte demanda por milho para ração animal.

“Se em setembro molhar bem a terra, a gente está com vontade de plantar mais cedo para garantir uma boa safrinha de milho”, disse à “Reuters” o produtor Marcos da Rosa.

A segunda safra de milho do Brasil representa cerca de 70% da produção do cereal no país, mas o atraso de plantio causado pela seca e as geadas subsequentes derrubaram a produção em 2021, elevando os preços internos, aumentando a necessidade de importações e encorajando agricultores a plantar mais no novo ciclo de 2021/22.

O produtor José Soares afirmou que chuvas antecipadas neste ano podem permitir que a semeadura tenha início em 20 de setembro em partes de sua fazenda.

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